segunda-feira, 18 de julho de 2016

Atividade 1 - Estágio Supervisionado - Laysse - PRADO E PIMENTA

1 - CONCEPÇÕES DE ESTÁGIO HISTORICAMENTE CONSTRUÍDAS
1.1     CONCEPÇÕES DE PRADO – A natureza do Estágio na UFAL
O objetivo central da obra de Prado (que trata de um relato de experiência) é refletir sobre o processo de identidade dos demais gestores nos espaços de Estágio Circular Supervisionado, afim de encontrar o conhecimento necessário para a formação profissional do docente que venha a superar a famosa dicotomia entre a prática e a teoria, pois como já se sabe, teoria e prática sã indissociáveis.
Com isso, é preciso entender o que é o Estágio Circular Supervisionado. Ao contrário da opinião equivocada nos cursos de Pedagogia e licenciaturas, o Estágio Circular Supervisionado (ECS) não é uma oportunidade de adquirir uma renda extra mensal, é na verdade uma parte das atividades obrigatórias da matriz curricular dos cursos de formação docente e de gestão.
A supervisão no ECS deve representar uma atividade significativa que contribua qualitativamente para a formação do futuro gestor. Entretanto, essa não foi sempre a função do professor orientador/supervisor do estágio, muitas vezes o papel do professor orientador do estágio era de fiscalizador, de conferente de fichas, carimbos e assinaturas diversas, ou seja, um papel burocrático e de um mero expectador, sem intervenção ou orientação aos estagiários.
Porém, houveram muitos trabalhos exitosos, aos quais Prado dedica um dos itens de sua obra. Na década de 50 (séc. XX), vários professores, não só alagoanos, mas provenientes de diversas regiões do Brasil e de outros países também, trouxeram contribuições para a melhoria dos trabalhos desenvolvidos sobre pesquisa, gestão e extensão. Nessa época que o trabalho dos docentes responsáveis pelo Estágio em Gestão Educacional tem ganhado em qualidade e em inserção social. Após alguns anos de bons resultados e algumas frustações a equipe responsável pelos estágios em gestão educacional do Centro de Educação da UFAL chegou a um formato de estágio satisfatório tanto para o curso quanto para o que é exigido na legislação. Dessa forma o Estágio em Gestão passa a ser trabalhado em 80 horas e se articula com a disciplina de Projetos Integradores, possibilitando ao estudantes um maior contato com as práticas de gestão nas instituições-campo de estágio.
1.2     PIMENTA E LIMA: 4 CONCEPÇÕES DE ESTÁGIO
Pimenta e Lima entendem o estágio como um campo de conhecimento, isso quer dizer que o estágio poderá se constituir em atividade de pesquisa, já que enquanto campo de conhecimento ele se produz na interação dos cursos de formação com o campo social onde as práticas educativas se desenvolvem.
O estágio sempre foi visto como a parte prática existente nos cursos de formação de profissionais, se contrapondo a teoria. Isso afirma que, no caso da formação de professores há uma dissociação entre teoria e prática.
Isso se deve aos currículos de formação, que se constituiu como um aglomerado de disciplina (saberes disciplinares) que não estão interligadas, mas isoladas entre si, sem qualquer explicitação de seus nexos com a realidade que lhes eu origem.
Essa contraposição entre teoria e prática não é meramente semântica, pois se traduz em espaços desiguais de poder na estrutura curricular, atribuindo-se menor importância à carga horária denominada de “prática”. Além disso, ouve-se com muita frequência que o estágio deve ser teórico-prático, que a teoria é indissociável da prática.
Entretanto, as autoras entendem que o estágio como pesquisa precisa ser assumido como horizonte ou utopia a ser conquistada nos cursos de formação.
A seguir, apresento concepções das autoras, em forma de síntese, para que melhor compreenda a relação teoria-prática nas concepções de estágio apresentadas pelas mesmas.
A prática como imitação de modelos
            A prática como imitação de modelos tem sido denominada por alguns autores como ‘artesanal’, caracterizando o modo tradicional da atuação docente. O pressuposto dessa concepção é o de que a realidade do ensino é imutável e os alunos que frequentam a escola também o são. Idealmente concebidos, caberia à escola ensiná-los, segundo a tradição. Não cabe, pois, considerar as transformações históricas e sociais decorrentes dos processos de democratização do acesso, que trouxe para a escola novas demandas e realidades sociais, coma a inclusão de alunos até então marginalizados do processo de escolarização e dos processos de transformação da sociedade, de seus valores e das características que crianças e jovens vão adquirindo.
            O estágio então, nessa perspectiva é reduzido a observar os professores em aula e a imitar esses modelos, sem proceder a uma análise crítica fundamentada teoricamente e legitimada na realidade social em que o ensino se processa. (1ª CONCEPÇÃO DE ESTÁGIO).
A prática como instrumentalização técnica
            Em uma compreensão, onde o profissional fica reduzido ao ‘prático’, há uma visão dicotômica entre teoria e prática, o que gera equívocos graves nos processos de formação de profissionais, incluindo professores.
            Nessa perspectiva, atividade do Estágio se resume à hora da prática, às técnicas a ser empregadas em sala de aulas, ao desenvolvimento de habilidades, ou seja, atividades meramente tecnicistas. Entretanto, Pimenta e Lima afirma que “o processo educativo é mais amplo, complexo, e inclui situações e treino, mas não pode a ele ser resumido(...)” e confirma sua a idéia de que “o professor deve desenvolver a habilidade de saber lançar mão das técnicas conforme as diversas e diferentes situações em que o ensino ocorre, o que necessariamente implica a criação de novas técnicas”. (2ª CONCEPÇÃO DE ESTÁGIO).
            Há uma crítica à didática instrumental empregadas nos cursos de formação de professores nas disciplinas ‘práticas’, que gera uma ilusão de que as situações de ensino são iguais e poderão ser resolvidas com técnicas. Essa idéia de “didática instrumental” distância ainda mais a Universidade da Escola, o que reforça a idéia da dicotomia entre teoria e prática.
O que entendemos por teoria e prática
            Nesse tópico, as autora afirma que a profissão docente é “uma prática social”, isso quer dizer que essa ação tem o poder de intervir na realidade da sociedade em diversos aspectos.  Para melhor compreender essa ação, as autoras propõem distinguir a atividade docente como prática e ação.
Em sentido amplo, ação designa a atividade humana; o fazer, um fazer efetivo ou a simples oposição a um estado passivo. Entretanto, em uma compreensão filosófica e sociológica, a noção de ação é sempre referida a objetivos, finalidades e meios, implicando a consciência dos sujeitos para essas escolhas, supondo um certo saber e conhecimento. Assim denominaremos de ação pedagógica as atividades que os professores realizam no coletivo escolar, supondo o desenvolvimento de certas atividades materiais, orientadas e estruturadas(...). Nesse processo, o papel das teorias é o de iluminar e oferecer instrumentos e esquemas para a análise e investigação, que permitam questionar as práticas institucionalizadas e as ações dos sujeitos e, ao mesmo tempo, se colocar elas próprias em questionamento, uma vez que as teorias são explicações sempre provisórias da realidade.”

Nessa perspectiva, o Estágio é uma atividade de conhecimento das práticas institucionais e das ações nelas praticadas. Isso pode ocorrer se o estágio for um eixo de todas as disciplinas do curso, e não apenas estar ligado às disciplinas denominadas ‘práticas’. Isso quer dizer que no estágio dos cursos de formação de professores, deve-se possibilitar que os futuros professores tomem conhecimento dessa complexidade das práticas institucionais e das ações aí praticadas por seus profissionais, como uma possibilidade de preparação para a sua futura ação docente. (3ª CONCEPÇÃO DE ESTÁGIO).
O estágio superando a separação teoria e prática
            As autoras apontam duas perspectivas sobre a concepção de estágio, que marcam a busca para a superação da famosa dicotomia entre teoria e prática. A primeira é a do estágio como aproximação da realidade como atividade teórica, e a segunda é o estágio como pesquisa e a pesquisa no estágio. Ambas propõem o estágio como um exercício da práxis, como uma compreensão da relação teoria e prática. (4ª CONCEPÇÃO DE ESTÁGIO).
            Sobre a aproximação da realidade e da atividade teórica, voltando-se para as concepções de estágio, as autoras apontam que o estágio deve ter a finalidade de permitir ao aluno uma aproximação da realidade na qual ele atuará, com isso o estágio se afasta da antiga compreensão de que seria uma parte prática do curso. Sobre isso as autoras concluem que o estágio não é atividade prática (ao contrário do que estava acontecendo), mas é uma “atividade teórica, instrumentalizadora da práxis docente com a capacidade de transformação da realidade”.    



REFERÊNCIAS

PIMENTA, S. G., LIMA, M.S.L. Estágio e docência: diferentes concepções. Revista Polesis – Vol. 3, números 3 e 4, pp. 5-24, 2005/2006.

PRADO, E. Estágio na licenciatura em pedagogia: gestão educacional. RJ: Vozes, Edufal, 2012.
             




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